Gripe suína traz o fantasma do preconceito para BH
Minas tem 101 casos de gripe suína confirmados pela Secretaria de Estado de Saúde (SES). Somente ontem, 11 pacientes tiveram a confirmação da doença. Das cinco pessoas que estão internadas em Belo Horizonte, a situação mais grave é de um funcionário da General Eletric e estudante da PUC Minas, unidade São Gabriel, R.S.N, 27 anos, que teve a doença identificada na terça-feira.
Ele está no CTI do Hospital das Clínicas (HC), da UFMG, com insuficiência respiratória. A mulher dele, de 26 anos, está internada no mesmo hospital, mas em situação estável.
Os nomes das pessoas com o diagnóstico positivo do vírus Influenza A não são divulgados pelas autoridades de saúde, mas as pessoas que trabalham nas escolas ou empresas que tiveram as atividades suspensas por causa da doença estão enfrentando discriminação.
“Fui a uma farmácia perto do meu trabalho, mas a balconista saiu de perto de mim, dizendo que eu era do colégio onde tinha gripe suína”, declarou uma funcionária do Colégio Marista, no Bairro São Pedro, na Região Centro-Sul da capital.
Com 31 anos, a funcionária, que pediu para que não fosse identificada, disse que, assim como seus colegas, aguarda para hoje resposta da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) sobre se as aulas poderão ser retomadas no dia 6 de julho, próxima segunda-feira.
A escola tem 41 casos da doença, a maioria em estudantes.
Outro que alega ter sofrido preconceito é um estudante de 23 anos, morador de Contagem, na Região Metropolitana de BH.
O pai dele, de 40 anos, trabalha na GE de Contagem, onde 23 pessoas ficaram em isolamento domiciliar depois que um funcionário contraiu a doença. “Os meus colegas disseram que eu não poderia assistir as aulas de informática, porque eu era filho de um infectado pela gripe suína”, reclamou.
No ambulatório do HC, foram 41 atendimentos de pessoas que apresentaram os sintomas das gripe suína. Terão que ficar em isolamento domiciliar 25 pacientes. O Estado tem 136 casos suspeitos da doença.
A notícia de que um dos pacientes internado no HC mora no Edifício JK, no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte, deixou em pânico os moradores. A síndica Maria Lima das Graças contou que um condômino foi levado pelo Samu, mas ela não recebeu informação do que se tratava.
“Toda equipe estava usando máscaras. O condomínio está orientando os moradores sobre a forma de evitar a transmissão da doença, independentemente de ter ou não a confirmação da gripe suína”, disse.
O Ministério da Saúde divulgou ontem mais 14 casos de gripe suína no país, elevando para 694 o total. Porém, há divergências entre números divulgados pelo ministério e a Secretaria de Saúde de Minas.
O primeiro aponta 70 confirmações da doença no Estado, enquanto a SES indica 101 casos. A assessoria de imprensa da secretaria informou que a diferença dos números é em função dos horários de fechamento dos boletins.
Na capital, foram confirmados mais oito casos, elevando para 71 o total de infectados.
Seis dos divulgados ontem são do Colégio Marista, um é estudante de Rio Acima, e outro de Nova Lima, na Região Metropolitana de Belo Horizonte. Os estudantes do Marista tiveram a confirmação da gripe suína, mas não entraram no balanço estadual. Com isso, o número de casos em BH, que deveria ser 73, ficou, oficialmente, em 71.
O infectologista Unaí Tupinambás, do HC, esclarece que não é possível fazer uma projeção do número de pessoas que poderão ser atingidas pela gripe suína. “A situação ainda está controlada. É importante tomar medidas para evitar que a circulação do vírus seja sustentada, ou seja, quando não há controle de quem transmitiu a doença”, explicou.
Balanço da Organização Mundial de Saúde (OMS) revela que 300 países foram atingidos pela gripe suína. São 77.882 pessoas infectadas pelo Influenza A e 334 mortes, no mundo. Com 26 óbitos, a Argentina é a que tem a maior taxa de letalidade, 1,64%.
Nos Estados Unidos, onde 127 mortes foram confirmadas, a taxa é de 0,46%. No Brasil, a doença matou, na semana passada, um caminhoneiro de 29 anos. Ele teve a doença depois de uma viagem a Buenos Aires, na Argentina.
Desamparo e falta de informação por parte das autoridades públicas de saúde. É o sentimento da belo-horizontina A.M.C., 32 anos, que contraiu a gripe suína em contato com pessoas que estiveram na Argentina. O drama começou no dia 18 de junho, quando sintomas da doença apareceram, repentinamente.
Preocupada, a jovem procurou atendimento no Hospital Life Center. Atendida como suspeita de estar com o vírus Influenza A e feito o cadastro epidemiológico, foi informada de que técnicos da Secretaria Municipal de Saúde (SMSA) iriam acompanhá-la e fazer a coleta de material para exame.
Isolada em casa, a paciente conta que manteve a calma, esperando a visita dos técnicos para a realização do exame. Feita a coleta de material, ela foi orientada a aguardar o retorno dos profissionais da secretaria e não sair de casa por cinco dias, até a confirmação do resultado. Em caso de febre, poderia usar Tylenol ou dipirona, mas não foi fornecido a ela o antiviral específico para a gripe.
O resultado positivo foi informado pela SMSA, por telefone, com a promessa de que uma equipe médica levaria o documento até ela, em sua casa, no dia 23 de junho. Como isso não ocorreu, A.M.C. ligou para a secretaria e ouviu nova promessa de que os médicos a visitariam, no dia seguinte, o que novamente não ocorreu.
“Senti-me desacreditada e sem respaldo dos órgãos que tomam conta da doença. Acreditando que receberia a visita, fiquei à espera, e à noite achei que ia morrer, estava com febre, tosse.
Tomei dipirona para dormir”, disse a paciente.
No dia 25 de junho, ela ligou outra vez para a secretaria, e continuou sem a visita dos médicos. Ainda procurou a rede particular de saúde, mas teve o atendimento recusado. Por fim, se curou em casa e retomou as atividades normais, mas revela que se sentiu desamparada e critica a atenção dispensada pelas autoridades de saúde de BH.
A SMSA informou que o procedimento padrão é o paciente permanecer em casa e somente receber visita médica em caso de os sintomas se agravarem.
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Falam, falam da doença mas, até agora, não divulgaram o medicamento que pode ser ingerido para amenizar as dores e a febre.
Aspirina, ou Tylenol?
Quando da Dengue, a população foi alertada para o uso de alguns medicamentos, já desta nada falam…
Att
Nadyr