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Cinema Usina Belas Artes de portas fechadas


O cinema Usina poderá reabrir as portas no próximo ano como parte de um grande centro comercial que está sendo projetado para o mesmo local onde funcionam as quatro salas do complexo, na Rua Aimorés, no bairro de Lourdes.

“O Usina pode permanecer no mesmo lugar, mas em formato imobiliário diferente.
Como o espaço é alugado, não depende da gente”, registra Anderson Faria, sócio- proprietário da rede de oito salas dedicadas a filmes de arte.

 

“O que estamos buscando fazer é resguardar o Usina, pedindo para que seja reservado um espaço para o cinema”, afirma Faria.

A revelação põe às especulações sobre o fechamento do Usina, após o anúncio de que o complexo interromperá suas atividades a partir de 13 de dezembro para a realização de reformas, com previsão de retorno até o final do ano que vem.

 

Mas a desconfiança é grande, principalmente porque já é sabido que o patrocínio do Unibanco – parceiro do grupo desde a inauguração, em 1992 – se encerra neste mês.
A notícia de que houve cortes no quadro de funcionários também alimenta um futuro negro para uma das poucas salas de rua que ainda resistem em Belo Horizonte.

 

O empresário, que está no grupo desde 2007 e neste ano adquiriu as salas do Belas Artes, na Rua Gonçalves Dias, garante que o Usina não vai fechar e afirma que a rede não “perde pontos, mas, sim, ganhará novos”.

 

O empresário salienta que a perspectiva é de investimento.
E, para crescer, o complexo está se modernizando para se encaixar no padrão de exibição atual.
Ao HOJE EM DIA, Faria revela que existem dois cenários possíveis: um projeto maior, em torno da construção do centro imobiliário, e outro menor, que diz respeito apenas à reforma.

 


Água limpa na África e alimento para crianças soropositivas de BH


BH Take The Walk

Caminhada ajuda a fornecer água limpa na África e alimento para crianças soropositivas de BH
No dia 10 de Janeiro de 2010, Belo Horizonte se transformará em uma importante via para que a solidariedade siga passagem.
Nesse dia, às 10h da manhã, no Parque das Mangabeiras, acontecerá a 1ª edição da Take the Walk em BH, caminhada que ocorre no mundo inteiro, realizada por voluntários, em busca de melhores condições para comunidades carentes africanas.

O Take the Walk (TTW) é um projeto que apóia financeiramente instituições com ações voltadas para as comunidades africanas, nas seguintes áreas: água limpa, calçados para crianças, cuidados médicos pre-natais, tratamento de HIV e construção de escolas.

 

O TTW funciona assim: em qualquer lugar do mundo, voluntários realizam uma caminhada por uma dessas causas e preenchem uma ficha, com assinaturas dos participantes e a causa apoiada. Para cada assinatura na ficha, o TTW doa diretamente, sem que passe pelas mãos dos organizadores da caminhada, 1 dólar para o projeto escolhido.

 

A caminhada que acontecerá em BH será em favor da Blood:Water Mission (BWM), uma instituição sem fins lucrativos, que luta pela construção de cisternas e centros para tratamento de HIV em comunidades africanas. A BWM é um dos projetos apoiados pelo Take the Walk. Com 1 dólar, a BWM consegue fornecer para um africano, água limpa durante um ano.
Por isso, a presença de cada um dos participantes na caminhada é muito representativa.

 

No dia 10 de Janeiro de 2009, a caminhada aconteceu em Brasília, organizada pelas mesmas pessoas que a organizam em BH e a terceira já está pré-agendada para o início de 2011, em Campinas, SP.
No entanto, o evento em BH apresenta um diferencial: os organizadores incentivam que os participantes levem 1 kg de alimento não perecível ou 1 litro de leite longa-vida, para serem doados à Casa Refúgio, da JOCUM-BH, que cuida de cerca de 20 crianças com o vírus HIV.

 

Segundo Jenny de Oliveira, uma das envolvidas na organização, “o objetivo é promover, num mesmo evento, reflexões sobre como agir local e globalmente, levando as pessoas a assumirem sua parcela individual no trabalho de oferecer ao próximo, uma melhor qualidade de vida, que todos têm igual direito de desfrutar.”

 

Após a caminhada de aproximadamente 1,5 Km, os presentes participarão de um momento de descontração, com muita música. Portanto, lanchinhos e instrumentos musicais serão muito benvindos.

 

Informações:

 

Evento: I BH Take The Walk em favor da BWM e da Casa Refúgio da JOCUM-BH

Local: Parque das Mangabeiras – BH

Data: 10 de Janeiro de 2010 / Hora: 10h da manhã

Contatos: (31) 9613-0675 – Jenny /(31) 8803-9940 – Juca /(31) 9934-9410 – Marcela


Taxa de desemprego da Grande BH cai


A taxa de desemprego na Grande Belo Horizonte voltou a apresentar queda em setembro, atigindo percentual de 10,4% da população economicamente ativa. Em agosto, a taxa havia ficado em 10,9%. Segundo pesquisa da Fundação João Pinheiro, Secretaria de Estado de Desenvolvimento Social (Sedese), Dieese e Fundação Seade, em setembro, foram criados 19 mil postos de trabalho na região.

A maior parte foi gerada no setor de serviços, com 22 mil novas ocupações; seguido pelo comércio, com 9 mil vagas; construção civil, 4 mil; e outros setores, com 2 mil novos postos. Já a indústria cortou 18 mil empregos entre agosto e setembro deste ano.

O setor privado, 11 mil novas vagas com carteira assinadas foram criadas contra 4 mil sem carteira. Já no setor público, houve acréscimo de 7 mil vagas. Entre os autônomos, foram registradas 8 mil novas ocupações, enquanto entre os empregados domésticos, houve corte de mil vagas.

Em agosto, o rendimento médio do trabalhador da Grande Belo Horizonte ficou relativamente estável em relação a julho, ficandoem R$ 1.222. Já a massa de rendimento real dos ocupados cresceu 1%.


Inovatec, protótipos na área de eletroeletrônicos e software


A 5ª Inovatec – Feira de Inovação Tecnológica  recebe pesquisadores  do Programa de Incentivo à Inovação (PII) de Itajubá e de Juiz de Fora com protótipos que podem beneficiar a área de eletroeletrônicos e software.
O PII reúne pesquisadores das universidades federais de Juiz de Fora (UFJF) e Itajubá (Unifei) que recebem recursos do projeto estruturador Rede de Inovação Tecnológica (RIT), coordenado pela Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Sectes). 

 

Entre os trabalhos apresentados estão o Solmic, uma programação para chips que oferece a opção de usar um circuito já existente no mercado e programá-lo para atender a uma necessidade específica do cliente.
Os benefícios da utilização dos serviços são exclusividade, proteção de informações sigilosas, aumento da confiabilidade do produto, redução de consumo de energia e minimização do circuito.

 

Outro protótipo com grande potencial de mercado é o Reator Eletrônico para iluminação mais barata, desenvolvido por pesquisadores da Universidade Federal de Juiz de Fora.
O foco do projeto é diminuir o custo dos reatores eletrônicos, reduzindo o número de peças na construção do produto.
O resultado é uma alternativa que cumpre as funções do reator eletrônico convencional, mas com menores custos de investimento, operação e manutenção.

 

Voltado para pesquisadores, empreendedores e futuros empresários, o PII tem como objetivo promover a integração entre academia e setor empresarial, favorecendo o desenvolvimento tecnológico e, consequentemente a elevação da produtividade e da competitividade das empresas mineiras no mercado globalizado.
Levar o produto desenvolvido na universidade para o mercado é outro objetivo do Programa de Incentivo à Inovação.


Governo quer manter IPI reduzido


A redução da alíquota de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) para eletrodomésticos, material de construção e bens de capital pode ter o prazo prolongado, segundo fontes do governo.
Como o impacto fiscal dessas medidas é bem menor do que a queda do IPI para automóveis, cujas alíquotas começaram a ser majoradas esta semana, a equipe econômica avalia se valeria a pena manter esse inventivo.
O problema, mais uma vez, é o espaço fiscal bastante limitado com que trabalha o governo.

 

Apesar da defesa enfática da política fiscal expansionista posta em prática nos últimos meses, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e o secretário do Tesouro Nacional, Arno Augustin, falam em conseguir um superávit de 2,5% do Produto Interno Bruto (PIB), sem usar os abatimentos previstos.
Nesse esforço, qualquer economia fará diferença.

 

Por outro lado, existe a disposição de estimular ao máximo a economia, e é isso que está sendo pesado.
Segundo uma fonte, diante desse dilema, os incentivos à construção civil e ao investimento têm mais chances de permanecer do que os da linha branca, que são itens de consumo.
A avaliação é que, com a política monetária flexível adotada ao longo do ano, cujo efeito pleno está chegando agora, no fim do ano, o consumo já terá um impulso significativo, o que pode dispensar a renovação do IPI linha branca.

 

Impulso para a economia

 

A alíquota reduzida para fogão, refrigeradores, tanquinhos e máquinas de lavar termina no dia 31 deste mês. Há dentro do governo quem defenda a prorrogação pelo menos até o fim do ano, quando se encerram os incentivos para os demais setores.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, tem destacado a importância do incentivo fiscal para manter as vendas aquecidas.

 

Em recente entrevista, Jorge defendeu a manutenção da redução do IPI para linha branca e materiais de construção.
Ele argumenta que é preciso baixar o custo das obras do programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, que recebe subsídios do Tesouro para as moradias destinadas à população de baixa renda.
O raciocínio é que elevar os impostos de um produto em que o governo tem participação tributária importante é ampliar o custo até para o Tesouro.

 

A Associação da Indústria de Material de Construção (Abramat) e a Associação Nacional dos Comerciantes de Material de Construção (Anamaco) também têm trabalhado para convencer o governo a ampliar os prazos, mantendo a desoneração pelo menos em parte de 2010.
O argumento é que o ciclo de uma obra pode chegar a dois ou três anos.
Uma fonte do governo afirma que a prorrogação para cada setor será “discutida no tempo certo”, ou seja, mais perto de quando o prazo das desonerações estiver se encerrando.

 

Nas contas da Receita Federal, a redução de IPI para material de construção até 31 de dezembro custará aos cofres públicos R$ 952 milhões e, para bens de capital, R$ 345 milhões.
A renúncia fiscal para linha branca, prevista para acabar em 31 de outubro, será de R$ 380 milhões.


Turismo em BH terá estratégia para crescimento


A construção de estratégias para o desenvolvimento integrado do turismo na RMBH (Região Metropolitana de Belo Horizonte) é o objetivo do workshop que será realizado na próxima quinta-feira, de 14h as 18h, na sede da Agência Metropolitana RMBH (Agência de Desenvolvimento da Região Metropolitana de Belo Horizonte) – avenida Raja Gabaglia, nº 339, bairro Cidade Jardim, Belo Horizonte.

Prefeitos, secretários municipais de Turismo e de Planejamento dos municípios da RMBH, alem de empreendedores do setor irão dialogar sobre o tema “Turismo: Desenvolvimento e Identidade Metropolitana”, uma iniciativa que se realiza no âmbito do Projeto Estruturador da Região Metropolitana da Secretaria de Estado de Desenvolvimento Regional e Política Urbana (Sedru), com apoio da Setur (Secretaria de Estado de Turismo).

Durante o evento, haverá apresentação da atuação da Agência Metropolitana RMBH, das estratégias e ações do turismo no Estado, diversidade cultural e natural de Minas, linha Lund, turismo de negócio e circuito cultural.

Também serão apresentados trabalhos do BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), do IEL (Instituto Euvaldo Lodi) e da SEC (Secretaria de Estado de Cultura).


Vereadores envolvidos em esquema de propina


Diálogo entre ex-parlamentar e empresário que comprova pagamento por aprovação do projeto que liberou a construção do Boulevard Shopping mostra que 16 podem ter recebido pelo voto.

 

Um grupo maior de vereadores da Câmara Municipal de Belo Horizonte, incluindo alguns da legislatura passada, pode ter participado de um suposto esquema de pagamento de propina que está sendo investigado pelo Ministério Público.

 

Um inquérito civil foi instalado pelo promotor Eduardo Nepomuceno a partir de gravações feitas pelo ex-vereador Sérgio Balbino (PRTB), o Balbino das Ambulâncias.

 

A fita mostra diálogos do ex-vereador com o filho do empresário Nelson Rigotto Gouvêia, que se chama Nelson Gouvêia, que teria pago pelo menos R$ 160 mil para aprovar, no ano passado, um projeto de lei que permitiu a construção do Boulevard Shopping, um megaempreendimento privado localizado na Avenida dos Andradas, no Bairro Santa Efigênia, Região Leste da cidade.

Nelson Rigotto é dono da NGR empreendimentos, que detém 30% do shopping.

 

Na conversa, Balbino devolve R$ 30 mil que teria recebido do empresário para aprovar o projeto e detalha como foi feita a divisão do dinheiro, que inicialmente deveria ter sido repartido entre 16 parlamentares, mas que acabou sendo rachado entre dez vereadores, todos investigados pelo MP. A devolução do dinheiro foi feita em uma das sedes da empresa no Bairro Floresta.

 

A gravação começa a partir do momento em que o ex-vereador toca a campainha do local e avisa a secretária que tem hora marcada com Nelson Rigotto. São cerca de 14 minutos de conversa.

Com o empresário não estava, o ex-vereador é recebido pelo seu filho, que demonstra preocupação com o fato de o racha do “grupo” atrapalhar a votação do projeto.

 

Ele também agradece ao ex-vereador pela devolução do dinheiro e afirma que pretende contribuir oficialmente para a campanha de Balbino.

Negociata Durante o papo com o filho do empresário o ex-vereador cita o vereador Hugo Thomé (PMN) e o ex-vereador Carlúcio Gonçalves (PRTB) como articuladores da negociata.

 

Balbino e os dois teriam recebido o maior volume da primeira parte da propina que teria sido negociada.

Cada um teria ficado com R$ 30 mil.

Os outros sete vereadores teriam embolsado R$ 10 mil. No entanto, de acordo com a conversa, essa repartição não teria sido pacífica. Os que receberam apenas R$ 10 mil teriam reclamado, juntamente com os seis que foram excluídos da suposta negociata.

 

Todos os nomes foram repassados para o promotor, que deve ouvir os vereadores e o ex-vereadores acusados de envolvimento no esquema. Hugo Thomé e o ex-vereador Carlúcio não se manifestaram sobre as acusações.

 

“No último momento eles decidiram dividir entre os 10 que votaram, mas deu uma brigaiada danada.

Por isso agora eles resolveram, nessa nova negociação, que eles vão ter de dividir pelos 16 que votaram (a favor da emenda substitutiva).

 

Eles assentaram e negociaram o seguinte: na próxima negociação do dinheiro eles vão dividir entre os 16”, diz um dos trechos da conversa , gravada em maio, mês em que o projeto foi aprovado.

Em outro momento, ele explica como foi a divisão entre os 10. “Eles colocaram para 10.

 

Entre esses 10 colocaram meu nome, incluindo o Hugo Thomé e o Carlúcio (ex-vereador Carlos Lúcio Gonçalves), que veio aqui, e dividiram R$ 10 mil para cada um dos 10. R$ 10 mil para dez dá R$ 100 mil. Sobrou R$ 60 mil.

 

O Carlúcio pegou mais vinte, deu mais vinte para o Hugo e me deu mais vinte.

Eu acabei ficando com trinta”. Balbino garante que o dinheiro foi pago em espécie para os vereadores e entregue dentro de envelopes pardos.

Nelson Rigotto vai prestar depoimento dia 16.

 

Ele disse que desconhece os fatos e que ainda não teve tempo de conversar com o filho sobre o assunto, pois ele está no exterior, em viagem de lua de mel.

A Câmara Municipal decidiu aguardar a investigação do MP para decidir o que fazer.


Os cinco sentidos do Mercado Central


Do lado de fora, o movimento das ruas contorna a construção. Dentro, cada corredor é também um trânsito contínuo de cheiros, sons, sabores, cores e texturas das mais diversificadas, misturando-se com os próprios transeuntes e frequentadores cativos do lugar, como o representante comercial Élson Amaral, 74 anos.

 

Sempre que pode, ele inclui o Mercado Central em sua trajetória pela cidade. “É uma espécie de cacoete”, como gosta de dizer. Assim como muitos outros clientes, Amaral também possui suas preferências.

 

Às terças-feiras, por exemplo, ele compra pão de centeio. Nos outros dias da semana, obedece aos desejos do paladar e não dispensa o pastel, a empadinha e, especialmente, a dobradinha.

 

Desde que ficou viúvo, passou a se interessar mais pela culinária e aprendeu a cozinhar. O lugar preferido para as compras é mesmo o Mercado Central, que, em 2009, comemora 80 anos de existência, com 400 lojas, que empregam diretamente 2.400 pessoas, além de 170 funcionários responsáveis pela administração e conservação do lugar.

 

Quando batizou o neto e quis fazer uma bacalhoada para comemorar a data, foi ali que Amaral comprou todos os ingredientes. O bacalhau foi adquirido na loja de Geraldo Campos, 75 anos, que desde 1950 faz parte da história do lugar.

 

Campos testemunhou uma época diferente, quando, dentro do próprio Mercado, passavam carroças e havia tantas pessoas que era quase impossível transitar pelo local. Eram 12 horas de trabalho diário e faltava tempo até para comer.

 

Ele lembra, por exemplo, que, para entregar uma marmita em outro ponto do Mercado, chegava a demorar uma hora, e que a presença de mulheres trabalhando no lugar era improvável, por causa do forte assédio dos homens.

 

Os tempos são outros. “Isso aqui para mim, hoje, é divertimento”, sintetiza. Trabalhando há quase 60 anos no Mercado, Campos diz que já se acostumou com o cheiro do lugar e, simplesmente, não sabe explicá-lo ou classificá-lo, embora tenha consciência da mistura que envolve o ambiente.

 

Enquanto a mãe escolhe o bacalhau, a artista plástica Rosângela de Carvalho, 60 anos, tenta explicar o grande encanto que sente pelo Mercado Central. Para ela, a diversidade apresentada ali encontra ressonância apenas com os famosos mercados característicos do Oriente Médio, fato que acredita ser justificado pela influência árabe em Belo Horizonte.

 

Ela salienta que um dos grandes atrativos encontrados no Mercado é a possibilidade de ter contato direto com a variedade de produtos ofertados, desde o artesanato aos animais, conseguindo se desvencilhar do “convívio mecanizado dos shoppings”.

 

Essa constatação leva a outra: a de que as pessoas estão perdendo o olfato e o tato por falta de uso, ideia que, por sua vez, comprova, para Rosângela, a importância do lugar. “Belo Horizonte sem o Mercado Central fica sem um pedaço da alma”, ratifica.

 

É possível encontrar de tudo um pouco

 

Os olhos dos visitantes que entram diariamente no Mercado Central se deparam com grande quantidade e variedade de produtos. Quem sobe a rampa de um dos acessos, a partir da Avenida Amazonas, encontra uma loja com queijos grandes, redondos e amarelos, os quais dividem a mesma bancada com exemplares de mel, goiabada cascão e geleia de mocotó.

 

O comércio ao lado, por sua vez, vende utensílios de cozinha, mas atende também quem procura por parafuso, interruptor, cavalinho de brinquedo e tripé de guardar bolsas.

 

O espaço da loja se amplia diante dos objetos pendurados até o teto e das prateleiras dispostas na frente do estabelecimento.

 

A advogada Mércia Andrade, 44 anos, tem o hábito de comprar doces no Mercado. A bancada de uma das lojas exibe grandes tachos com as mais diferentes cores e texturas: doce de leite caseiro, doce de figo com calda cristalizada e cocada branca.

 

“A gente come primeiro com os olhos”, revela Mércia. A diversidade apresentada pelo local chama a sua atenção. “Tem de tudo. Aqui tem peixe, ali tem carne. Aqui tem doce, ali pertinho tem animal, então, quem vem para cá já sabe que vai encontrar isso mesmo”, afirma.

 

Os sentidos que emergem em cada uma das lojas do Mercado são também um caminho para redescobertas de lembranças, que direcionam-se ao passado, em lampejos da memória. Conceição Araújo, 73 anos, é uma dessas pessoas que têm parte da sua história de vida vinculada ao Mercado Central.

 

Por isso, ela faz questão de visitar o lugar, que frequenta desde os 12 anos, para comprar produtos que poderiam ser encontrados em outros locais, como verduras e frutas.

 

Não é a única que vai ao Mercado Central em busca de recordações. Quando morava em uma fazenda, na cidade de Pompeu, no Oeste mineiro, a mãe de Inês Teodoro possuía um guarda-louça que continha uma galinha de vidro.

 

Aos 70 anos, passeando pelo Mercado Central, hábito que conserva desde os 31, Inês observou um objeto semelhante ao que sua mãe guardava. Não o comprou pelo preço, que ainda considera alto, mas não deve demorar a adquiri-lo. “Eu perguntei se não vinha uma menor e mais barata e o moço diz que vem. Se não vier, eu acabo pegando uma dessas mesmo”.

 

Contato muda percepção sobre o local

 

As impressões de Raquel Carneiro, 22 anos, vão além do movimento do Portão 1 do Mercado Central, localizado em frente à Avenida Augusto de Lima.

 

Desde novembro, ela passou a frequentar o local diariamente, trabalhando como estagiária no Posto de Informação da Belotur no Mercado Central. Antes da atual experiência, Raquel só havia visitado o endereço duas vezes, mas, agora, sente-se integrada à rotina.

 

“É bem alegre, bem movimentado. Não tem outro igual. O que eu gosto mesmo é das barracas que vendem a fruta pronta para comer”, destaca. Em frente a uma das lojas que oferecem frutas descascadas e geladas na hora, o representante farmacêutico Gleison de Miranda, 31 anos, conta que a qualidade dos produtos lhe chama mais a atenção. “A melancia parece que é mais doce. É um gosto diferente mesmo”, avalia.

 

Um passeio por um dos corredores revela uma parte com menor influência dos ruídos da rua, localizada abaixo da rampa do estacionamento, construída para dar acesso ao andar superior ao das lojas. “É um canto sem barulho do lado de fora.

 

Quando chove, a gente não escuta, só vê pelas pessoas chegando com sombrinha molhada”, afirma o engenheiro agrônomo Dazio Vilela Chaves, 61 anos, dono de uma loja de sementes, desde 1991.

 

O comerciante diz conhecer o perfil da maioria dos frequentadores de seu estabelecimento. Segundo ele, para os fregueses, a influência da visão interfere diretamente na escolha das sementes de flores das mais diversas cores, frutas e legumes variados, as quais ainda nem germinaram.

 

Quem procura alface, por exemplo, exige que a semente produza uma hortaliça tão bonita quanto a exibida na foto da embalagem. “O cliente vê o envelope e acha que vai colher igual. Para isso, é necessário uma boa adubação, plantio correto”, enfatiza Dazio.

 

A disposição de alguns bares também chama a atenção. Os atendentes não ficam somente atrás do balcão, mas em cima do mesmo, de onde convidam os clientes para o consumo de algum produto, por meio de assovio, mas valem gritos, simpatia e elogios também.

 

A balconista Kátia Gonçalves, 28 anos, diz que sua voz se tornou mais grave, pelo esforço que tem que fazer para ser ouvida por todos os clientes, durante os seis anos em que trabalha no lugar.

 

Ela revela ainda que, nos finais de semana, quando os bares ficam lotados, o barulho chega a atrapalhar a visão. “Você não tem noção, uns te chamam de lá e na mesma hora de cá. Quando você deita seu ouvido faz zuumm”, brinca.

 

A vida árabe influenciou a cultura não só do Mercado Central, mas também de outros pontos predominantemente comerciais de Belo Horizonte, como a Rua dos Caetés, onde há muitos sírio-libaneses. A comerciante Hana Ahmad Khowli afirma que não existe um país árabe que não tenha um mercado. “Chamamos de Mone”, diz a palestina Hana, há quase 30 anos no Mercado.

 

Foi no Mercado Central de Belo Horizonte que ela diz ter reencontrado parte de suas raízes. “Eu sinto que estou no meu pedaço, tenho uma lembrança muito grande da minha terra”, comenta ela, que destaca como um dos pratos tradicionais o fígado acebolado.

 


Pista de skate com medidas oficias será inaugurada em BH


Uma pista pública de skate com medidas oficias será inaugurada no Parque das Mangabeiras, região centro-sul de Belo Horizonte, neste sábado. Será maior pista da cidade e objetivo é que ela se torne palco de eventos nacionais e internacionais do esporte.

 

Um valor de 212 mil foi gasto na construção e adequação do espaço, que tem todos os elementos que simulam obstáculos encontrados em locais semelhantes: banks, double set, quarter, corrimão, delta, pirâmide, escada, palco e rampa 45º, distribuídos em 900m² de área construída. Todos os obstáculos são em escala profissional, a nível mundial.

 

A construção atende a antigas reivindicações dos jovens da capital. Atualmente, Belo Horizonte conta com aproximadamente 160 mil skatistas e é considerado um mercado promissor para a prática do skate.

 

Outras duas pistas serão construídas na cidade: uma, no Parque Guilherme Lage, no bairro São Paulo, região nordest da capital, e outra, no Parque Vila Pinho, na região do Barreiro.


Capital busca alternativa de trânsito fora do Centro


Trafegar pelas vias de Belo Horizonte é um castigo progressivamente árduo. Segundo especialistas, os engarrafamentos se agravaram à medida que a frota cresce e não há opções de deslocamento fora do Centro. Além das mortes terem aumentado 25% nas ruas da cidade, no ano passado, em relação a 2007, os congestionamentos também se estenderam além do que era registrado há 3 anos, apontam medições da 1ª Companhia Independente de Trânsito da Polícia Militar. No período da manhã, os congestionamentos ainda duram das 7 às 9 horas, mas, à tarde, o sufoco, que começava por volta das 18 horas e ia até as 20, costuma terminar só às 21 horas, todos os dias da semana, exceto domingos.

 

De acordo com o diretor de Operações da Empresa de Transporte e Trânsito de Belo Horizonte (BHTrans), Edson Amorim, os congestionamentos obedecem uma dinâmica conhecida de horários. “No período da manhã, as entradas da cidade são mais congestionadas e exigem, muitas vezes, o deslocamento de agentes da empresa e guardas municipais para impedir que haja bloqueios nos cruzamentos e o auxílio a carros quebrados para normalizar o fluxo”, considera.

 

As chegadas pelas avenidas Nossa Senhora do Carmo, de quem sai do Belvedere e de Nova Lima, Amazonas, que comporta tráfego de Contagem, Betim e da Região Oeste, Cristiano Machado, que liga o Norte, Venda Nova, Santa Luzia, Vespasiano e Lagoa Santa ao Centro, e Pedro II, corredor que liga as regiões Noroeste e o Anel Rodoviário, são as mais carregadas e, geralmente, concentram os engarrafamentos matutinos. “Na hora do almoço, a área central fica mais complicada”, diz o diretor.

 

O comandante da 1ª Companhia Independente de Trânsito da PM, major Roberto Lemos, acrescenta a essa listagem o Complexo da Lagoinha, a Avenida Tereza Cristina e a Via do Minério, saindo do Barreiro, as avenidas do Contorno, Ivaí e Abílio Machado, que cruzam o Região Noroeste, e a Avenida Cristóvão Colombo, na Savassi.

 

A explicação para tantos nós entre as vias remonta aos projetos de construção da cidade, no século XIX, considera o diretor-presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar. “O desenho da cidade é radioconcêntrico Como se fosse um tabuleiro de xadrez com ruas, sobreposto por outro, com as avenidas. Isso força muito o tráfego para o Centro da cidade”, alega.

 

De acordo com ele, a área central é atravessada por um grande volume de tráfego que chega pelas avenidas mais importantes, mas que é apenas de passagem e travessia. “Daí a importância de a prefeitura desenvolver esses corredores que interligam os vários polos para fora do Centro, para que esse tráfego que não tem necessidade de passar pelo Centro”, defende Ramon Cesar.

Porém, especialistas consideram que o desvio do tráfego do Centro ocorre apenas em discurso. “As obras de duplicação das avenidas Antônio Carlos e Cristiano Machado (faz parte da Linha Verde), por exemplo, que são os maiores investimentos da prefeitura, são projetos que reforçam o tráfego para a área central da cidade, já que os dois corredores desembocam naquela região”, avalia o coordenador do Núcleo de Transportes da Escola de Engenharia (Nucletrans) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), Ronaldo Guimarães Gouvêa.

 

As críticas mais ouvidas de motoristas e passageiros do transporte público são direcionadas à complexidade dos sentidos das vias da capital. “Podemos lançar mais placas e sinalizações para amenizar. Isso é provocado pela distribuição radioconcêntrica da cidade. Nem sempre retorna num sentido ao pegar uma via paralela”, afirma o presidente da BHTrans. Um dos locais mais confusos para motoristas, talvez por ser recente ainda, é o Complexo da Lagoinha. “Outro dia, entrei errado lá. Mas é um ‘complexo’, não um ‘simples’, da Lagoinha. Temos de ir devagar e prestar atenção na sinalização até se acostumar”, admite Ramon Cesar, em tom de brincadeira.

 

Capital tem lista de 150 intervenções

Para tentar aliviar a pressão sobre as vias e os condutores, a BHTrans pretende incluir no Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) da Mobilidade, do Governo federal, a realização de 13 obras em trechos diversos da cidade e a abertura de novas opções aos corredores congestionados da área central. Os caminhos foram eleitos entre 150 listados pelo projeto chamado “Corta Caminho” na campanha do prefeito Marcio Lacerda (PSB), que foi inicialmente chamado de Viurbs pelos técnicos que o desenvolveram, na administração passada.

 

O HOJE EM DIA teve acesso às 13 alterações que foram selecionadas e que já tiveram projeto de elaboração de engenharia contratado pela BHTrans, no mês passado. Os estudos deverão ficar prontos em seis meses, para então serem levados a Brasília. “Nossa ideia é incluir o ‘Corta Caminho’ no pacote de benefícios previstos para a realização da Copa do Mundo de futebol de 2014. Com os projetos prontos, ficaria mais fácil conseguir as verbas”, acredita o presidente da BHTrans, Ramon Victor Cesar.

 

Pelas alterações previstas, novas vias serão criadas a partir dos 13 trechos modificados. Entre as regiões Noreste e Leste surgiria a Via 710, entre as avenidas José Cândido da Silveira, Andradas, Itaituba, Cristiano Machado e o Anel Rodoviário. As avenidas Tereza Cristina e Úrsula Paulino, no Betânia, na Região Oeste, seriam conectadas por uma outra avenida, chamada Via 210, sobre o Córrego Bom Sucesso, abaixo do Anel. A Avenida Várzea da Palma, em Venda Nova, finalmente sairia do papel, rebatizada de Via 590. Por ela, seriam ligadas as rua Augusto dos Anjos e Deputado Anuar Menhen. Um túnel seria perfurado entre as avenidas Pedro II e Tereza Cristina.

 

A Avenida Dalva Matos e as interseções entre Anel Rodoviário, Avenida Úrsula Paulino e a Via do Minério, no Barreiro, precisariam ser ampliadas. Assim como os acessos entre as avenidas Carlos Luz e Pedro II, na Região Noroeste, e da Bernardo Vasconcelos com Cristiano Machado, na Região Nordeste, que passariam a ser efetuados em desnível.

 

Vítimas de acidentes nos bairros

Os corredores mais importantes e movimentados da cidade, que acabam passando pelo Centro, são os campeões em acidentes de trânsito. Mas o crescimento do número de batidas com vítimas e atropelamentos nos bairros fora dessas vias, onde há apenas ruas e avenidas locais, é uma tendência que preocupa autoridades e estudiosos que lidam com o trânsito.
A Savassi é a área que mais sofreu com a expressiva concentração de tráfego das vias que passam por lá. O registro de acidentes com vítimas na região cresceu 180% entre 2007 e 2008, segundo levantamento da 1ª Companhia Independente de Trânsito da PM. As ocorrências saltaram de 166, em 2007, para 466, no ano passado. Uma das explicações para isso seria justamente a saturação dos corredores que atravessam a Savassi, rumo ao Centro.
Muito desse fluxo de veículos é originário de outras cidades da Região Metropolitana, pelas estradas, chegando ao Anel Rodoviário.

 

“O que demonstra esse salto nos acidentes da Savassi é justamente o incremento de fluxo por causa da chegada, pela Nossa Senhora do Carmo, de veículos de Nova Lima e do Anel”, observa o coordenador do Nucletrans da UFMG, Ronaldo Guimarães Gouvêa. Os acidentes na Avenida do Contorno, a quarta mais violenta da cidade, passaram de 496 batidas e atropelamentos, em 2006, para 508 registros em 2007, segundo dados do Detran-MG. A Nossa senhora do Carmo aparece como a 26ª dessa lista, com 96 em 2006 e em 2007.

 

Uma das soluções para isso, na análise do professor Gouvêa, seria a conclusão da alça Leste do antigo Anel Rodoviário. “Com ela, os caminhões que vêm da BR-040 ou do Anel para a cidade de Sabará, ou para os bairros da Região Leste, como Caetano Furquim e Taquaril, não teriam de passar pelas avenidas Nossa Senhora do Carmo, Contorno, e Getúlio Vargas e Rua Professor Morais”, diz.

 

Outro bairro que registrou aumento considerável, de 48%, no número de acidentes com vítimas entre 2007 e 2008 foi o Barro Preto, na região Centro-Sul. De 770 casos em 2007, as vias da área saltaram para 1.140, no ano passado. “O que pode explicar isso no Barro Preto é o incremento de trânsito no sentido leste-oeste, nas franjas do bairro”, avalia Gouvêa.

 

Uma das principais vias do Barro Preto, a Avenida Augusto de Lima, apresentou 39% a mais de vítimas de trânsito em 2007, na comparação com 2006, segundo dados do Detran-MG. Saltou de 77 para 107 ocorrências no período estudado. No Bairro Santo Agostinho, também na Região Centro-Sul, o aumento foi de 34,6%, passando de 444 para 598, de 2007 para 2008.
Mas se aumento de acidentes em bairros periféricos, o campeão em acidentes com vítimas, o Centro, apresentou redução de 4% nos registros, passando de 2.358 em 2007 para 2.260, em 2008.

 

De acordo com informações do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (Dnit), o Anel Rodoviário está sendo transferido para a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) e não há projetos para implantar a alça leste. A PBH, por sua vez, não tem autoridade para a construção, uma vez que a via ultrapassa os limites da capital, chegando a nova Lima.

 

Outra proposta de ligação de rodovias fora do perímetro urbano da capital, do chamado rodoanel, está em fase de contratação do edital para elaboração do projeto executivo, que deve sair em maio, segundo a assessoria de imprensa do Dnit. A obra, de 67 quilômetros, passando por Betim, Contagem, Ribeirão das Neves, Pedro Leopoldo, Vespasiano, Santa Luzia e Sabará, tem custo estimado de R$ 700 milhões. Os vencedores da licitação terão 240 dias para elaborar o projeto executivo, devido a uma série de exigências ambientais.

 

Segundo o diretor-geral da Agência Metropolitana, José Osvaldo Lasmar, essas soluções e, ainda, o metrô de gestão metropolitana, com estações em Contagem e Betim, e um sistema de ônibus colaborador são debatidos entre os integrantes da entidade, estando entre as iniciativas prioritárias. “O rodoanel também foi apresentado à ministra Dilma Roussef (da Casa Civil), que gostou muito do projeto, quando esteve em BH da última vez”, afirma Lasmar.

 

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