Problema em Itaipu causa apagão em nove Estados
Quase metade do Brasil fica no escuro.
O ministro Edison Lobão, que concedeu entrevista, confirmou que foram afetadas cidades em São Paulo, Minas Gerais, Espírito Santo, Rio de Janeiro, Paraná, Mato Grosso do Sul e Goiás.
Porém, moradores de Mato Grosso e Pernambuco também relataram falta de energia nos Estados. E disse também faltou energia no Paraguai.
O ministro disse que é possível que um temporal tenha provocado o desligamento da usina. “Questões atmosféricas, tempestades de grande intensidade, podem ter contribuído para desligar o sistema de Itaipu.
Por consequência, pelo regime interligado, outras linhas saem de funcionamento”, disse o ministro, ressaltando que o Estado do Rio de Janeiro é o mais prejudicado.
Lobão disse ainda que o abastecimento deve ser normalizado ainda nesta noite, mas que a causa real do problema só será conhecida na quarta-feira. “Nossa preocupação agora é reestabelecer a energia.
Não é encontrar a razão do corte, que deve ter sido por fatores atmosféricos.
Não tem nada a ver com o apagão de 2001″, afirmou o ministro.
Segundo o Operador Nacional do Sistema, foram perdidos 17 mil MW de potência, o que equivale à potência geral do Estado de São Paulo.
Na cidade de São Paulo, várias regiões registram falta de energia elétrica durante a noite.
Relatos de moradores apontam falta de luz na capital, no ABC paulista, no interior e no litoral do Estado.
O metrô de São Paulo interrompeu o funcionamento.
De acordo com a Defesa Civil de São Paulo, só estão com energia na capital paulista os locais onde há geradores.
De acordo com a assessoria de imprensa da Polícia Militar, não há registro de ocorrências na cidade, mas a corporação recomenda que os moradores evitem sair às ruas.
“Estava um caos para pegar ônibus, pois está sem metrô. Estava parecendo seis horas da tarde.
A cidade está totalmente escura, sem semáforos, na rua só vemos a luz das velas nas casas.
Não tinha nem táxi nas ruas, está todo mundo preso em casa”, conta o jornalista Rodrigo Araújo, que estava na av. Paulista no momento do apagão.
Apagão atinge Minas Gerais e outros estados do Brasil
Os municípios do Mato Grosso do Sul, que fazem fronteira com o Paraná, não foram afetados pelo apagão que atingiu pelo menos seis estados do país – São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Goiás – na noite desta terça-feira.
Ainda não se sabe quantos municípios do MS ficaram sem energia, mas a capital Campo Grande foi atingida por completo.
O diretor técnico das Centrais Elétricas de Santa Catarina (Celesc), Eduardo Sitônio, informou que no estado foi percebida apenas uma oscilação de cerca de 5 segundos na rede base e que não há registros de ocorrência de falta de energia.
Há suspeita de que uma máquina de Itaipu tenha dado problema e ele supõe que isso possa gerar sérias consequências. “Usinas que estão atualmente paradas e funcionam a base de óleo terão de ser acionadas com urgência para repor esta perda de energia”.
Apenas como parâmetro, o estado de Santa Catarina consome 3 mil MW.
O staff da empresa está de plantão por temor de eventual efeito dominó no processo de restabelecimento da energia.
Semáforos de Belo Horizonte agora com mais tecnologia
Os sinais de trânsito de Belo Horizonte começaram a ser trocados. Um convênio entre a BHTrans e a Cemig vai permitir a substituição das lâmpadas incandescentes por leds.
De acordo com a BHTrans, a mudança vai ser feita nos 809 cruzamentos com semáforos da capital. A substituição vai representar uma redução de 86% no consumo atual de energia.
A nova tecnologia possui maior durabilidade, além de trazer mais segurança para os motoristas, já que evita que a luz solar atrapalhe sua visualização.
Os novos semáforos já estão funcionando em alguns pontos da cidade. A previsão é que até o fim de 2010 todos os semáforos tenham sido trocados na capital
Congresso Brasileiro de Agrometeorologia
De 22 a 25 de setembro, Belo Horizonte será sede do XVI Congresso Brasileiro de Agrometeorologia (CBA). O evento tem como tema principal “mudanças climáticas, recursos hídricos e energia para uma agricultura sustentável”.
Autoridades e especialistas discutirão as relações do tempo e do clima com as ciências agrárias e florestais. Durante os quatro dias, cientistas de renome estarão reunidos para analisar resultados de pesquisas na área de agrometeorologia e seus benefícios para a sociedade.
Estarão em foco nos debates os efeitos do tempo e do clima na distribuição e produtividade da agricultura e da pecuária. As relações entre água, solo, plantas e atmosfera também serão discutidas, bem como os sistemas de monitoramento e previsão agroclimáticos.
Haverá mesas redondas sobre recursos hídricos, agroenergia, mudanças climáticas e sensoriamento remoto, além de um minissimpósio sobre seca.
Ao todo, serão apresentados 440 trabalhos técnicos-científicos, sendo 369 na forma de pôsteres e 71 com apresentação oral. Além disso, serão oferecidos quatro minicursos para os participantes do congresso.
Junto ao XVI CBA, que ocorre no GranDarrel Minas Hotel, será realizada a Expoagro 2009, exposição de equipamentos e produtos relacionados à pesquisa em agrometeorologia, agronomia, meteorologia, hidrologia, irrigaçãoo e drenagem, engenharia ambiental, recursos hídricos, energias alternativas e bioenergia.
Destaque internacional – Durante o XVI CBA, será feito o lançamento das ações de preparação para a XV Sessão da Comissão de Agrometeorologia da Organização Meteorológica Mundial, evento que vai ocorrer na capital mineira em julho de 2010.
Será a primeira vez que um país da América Latina irá sediar um encontro da Organização Meteorológica Mundial, entidade ligada à ONU (Organização das Nações Unidas).
O diretor do Setor de Previsão e Adaptação Climática da Organização Mundial Meteorológica, Dr. Mannava Sivakumar, estará em Belo Horizonte de terça a sexta-feira (22 a 25 de setembro) e acompanhará as atividades do XVI Congresso Brasileiro de Agrometeorologia.
O XVI CBA é uma promoção conjunta da SBA (Sociedade Brasileira de Agrometeorologia), da UFV (Universidade Federal de Viçosa) e da Embrapa Milho e Sorgo, Unidade da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária, vinculada ao Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento. O local do evento é o GranDarell Minas Hotel, que fica à rua Espírito Santo, 901, Centro de Belo Horizonte.
Banda larga pública pode começar em 2010
A nova estrutura nacional de banda larga pública, que vem sendo estudada pelo governo, poderá começar a funcionar em seis meses pelas cidades de Brasília, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
A previsão é do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que discutiu o assunto, na terça-feira à noite, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e com os ministros do Planejamento, Paulo Bernardo, da Ciência e Tecnologia, Sérgio Resende, e da Educação, Fernando Haddad.
Segundo Costa, Lula determinou aos ministros que apresentem, em 40 dias, uma proposta “objetiva” de política pública de banda larga, hoje restrita apenas a cerca de 10 milhões de acessos.
“O Brasil tem que ter acesso à banda larga em todos os municípios, com qualidade e com velocidade”, disse Hélio Costa, lembrando que para isso é necessário uma infraestrutura “extraordinária”.
Uma das ideias do governo é ressuscitar a antiga estatal de telefonia Telebrás para que ela seja a gestora deste programa, mas essa decisão ainda não foi tomada. Segundo Costa, isso será decidido depois que os ministros apresentarem suas propostas.
As conversas, segundo o ministro, já estariam em andamento para utilizar, de imediato, as redes de fibra ótica da Petrobras e de Furnas, no circuito Belo Horizonte, Rio e Brasília. Em um segundo momento, seria incorporada a rede da Eletronet , que tem 16 mil quilômetros de fibras óticas, ligando o Rio Grande do Sul ao Ceará.
Costa lembrou que já há uma decisão da Justiça do Rio de Janeiro para que as fibras da Eletronet sejam devolvidas ao governo. Ele adiantou, no entanto, que a revitalização dessas fibras deverá ser feita a “longo prazo”.
A Eletronet foi criada em 1999 por empresas de energia elétrica para prestar serviços de telecomunicações, mas entrou em falência em 2003, deixando sem uso suas redes.
A iniciativa do governo segue uma tendência de reforçar a presença do Estado em áreas consideradas estratégicas, como já vem ocorrendo no setor de petróleo, eletricidade, mineração e bancário.
Costa, no entanto, nega que seja intenção do governo transformar esta nova estatal de telecomunicações em uma empresa para competir com as operadoras privadas que já atuam no País, em um processo de reestatização do setor, que foi privatizado em 1998.
Infocon Inforuso em Belo Horizonte
Entre os dias 28 e 30 de setembro, o CMRR – Centro Mineiro de Referência em Resíduos recebe o maior evento de tecnologia da informação e comunicação, a 25ª edição do Infocon Inforuso Sucesu, promovido pela Associação de Usuários de Informática e Telecomunicações de Minas Gerais – Sucesu-MG, em parceria com a Fundação Estadual do Meio Ambiente – FEAM.
“Tecendo as redes de uma TI sustentável”, é o tema desta edição que tem como finalidade divulgar práticas ambientais sustentáveis que estão sendo adotadas no setor de TI.
Para cada dia de evento é esperado o público de 300 congressistas que poderão fazer suas inscrições gratuitamente no site www.sucesumg.org.br.
O Infocon Inforuso é o principal evento do setor realizado anualmente em Minas Gerais, dirigido a empresários, profissionais de TI e interessados em geral.
Neste ano, em sintonia com questões econômicas e sociais, o evento abordará assuntos relacionados ao tema TI Verde, que engloba conceitos de sustentabilidade, reciclagem, novas formas de produção, gasto e custo de energia e atitudes responsáveis para com o meio ambiente e a sociedade.
A sustentabilidade ambiental é um tema em foco nas discussões da sociedade e alcança todos os setores da economia. Segundo o presidente da Sucesu – MG, Márcio Tibo, a área de TI é um setor transversal que promove a utilização intensiva de recursos e necessita estar preparada para responder aos anseios de uma nova ordem mundial.
“A TI Verde deve significar, nas estratégias corporativas, muito mais do que apenas uma troca de equipamentos.
Trata-se de uma bandeira, que está sendo levantada em todo o mundo. Pensar verde cria alternativas, que podem ajudar a reduzir o impacto ambiental, por isso a escolha desse tema para a 25ª edição do Infocon Inforuso Sucesu”, explica Tibo.
Ainda segundo o presidente, tratar o lixo eletrônico, programar as impressoras para imprimir na frente e verso e realizar vídeo conferencias para diminuir o uso de meios de transportes que poluem o ar, fazem parte de um extenso rol de ações que poderiam ser adotadas. “A busca é pela conscientização de todos e pela mudança ou adoção de novos de procedimentos.
Nesse caso até vantagens econômicas podem impulsionar investimentos em sustentabilidade e meio ambiente” acrescenta.
O evento será focado na discussão de como o ambiente de TI pode ser otimizado, reduzindo custos e impactos ambientais, aumentando a eficiência energética e facilitando a manutenção e gerenciamento para os sistemas de infra-estrutura física de TI.
Para o evento a Sucesu MG conta com a parceria de importantes empresas como o CDI – Comitê de Democratização da Informação, FEAM, Cemig, Ceinfor (Fumsoft, Sindinfor, Assespro e Sucesu), Prodemge, entre outras.
Empresas devem se adequar a lei
A partir da Política Estadual de Resíduos Sólidos, de acordo com a lei estadual 18031-2009 de 12 de janeiro de 2009, as empresas passarão a ser ativas na proteção e melhoria da qualidade do meio ambiente no que se refere a resíduos sólidos oriundos das atividades de TI.
Elas deverão promover ações para garantir que o fluxo dos resíduos sólidos gerados pela TI seja direcionado para a sua cadeia produtiva ou para cadeias produtivas de outros geradores.
Quem se omitir poderá receber desde uma advertência até multas diárias.
Além disso, um grupo de trabalho, formado pela FEAM, e que conta com a participação do CDI Minas como representante da SUCESU MG, está elaborando, conjuntamente e por consenso, uma minuta de Deliberação Normativa a ser encaminhada ao COPAM – Conselho Estadual de Política Ambiental de Minas Gerais, para regulamentar a questão dos resíduos de equipamentos eletroeletrônicos no Estado de Minas Gerais.
Um projeto piloto para tratamento deste tipo de resíduo está sendo também preparado e essa proposta será conhecida durante o 25º Infocon Inforuso Sucesu.
Programação
Durante o 25º Infocon Inforuso serão realizadas 15 palestras de diferentes temas como TI Verde; Informática Pública; Arquiteturas de aplicativos / SOA/ BPM/ ECM; GRC; Business Intelligence (BI); Soluções para Data Center (Servidores, Virtualização, Monitoração, Segurança, Cloud Computing); dentre outros.
Outro destaque do evento é a Copa de Robótica, que objetiva promover uma competição entre instituições de ensino do Estado de Minas Gerais.
A disputa visa fomentar o desenvolvimento de projetos tecnológicos, estimulando a criatividade e incentivando a formação de profissionais preparados para o mercado de trabalho.
Este ano as modalidades da copa dos robôs tem como base os conceitos de sustentabilidade.
Uai Folia, a micareta oficial de BH
O Uai Folia é a micareta oficial da capital mineira. No primeiro dia as bandas Eva e Chiclete com Banana irão fazer os foliões correrem atrás do trio, em um percurso de um quilômetro.
No segundo dia é a vez da banda Asa de Águia e do cantor Alexandre Peixe animarem a galera com toda sua energia e hits de sucesso.
Quem quiser aproveitar o Pacote da Folia, os abadás estão à venda no postos do Ingresso Rápido
Shopping Cidade, piso GG/ Shopping 5ª Avenida, loja 27C – e pelo site www.ingressorapido.com.br
Local: Mega Space
Data: 18/09/2009
Preço:
Pista: R$ 150,00 ou 3x de R$ 50,00 no cartão*
Camarote: R$ 270,00 ou 3x de R$ 90,00 no cartão*
Serão aceitos os cartões América Express, Visa, Mastercard e Hipercard.
Observações: (31) 3284-7447
Site: http://www.folia.com.br
Ecologicamente correto, lixo vira energia
Já imaginou a casca da banana que você joga fora ou o saco plástico que acondiciona o lixo retornando para a sua casa em forma de energia elétrica?
O aproveitamento de resíduos sólidos urbanos para gerar eletricidade, dando tratamento ecologicamente correto aos detritos, já é realidade em alguns países desenvolvidos, mas incipiente no Brasil, que ainda não conta com uma usina de reciclagem energética.
Nos próximos anos, Minas Gerais poderá ter a sua primeira unidade instalada em Três Corações, no Sul do Estado. Um estudo de viabilidade técnica e econômica para a implementação do projeto está sendo realizado pela Fundação Estadual de Meio Ambiente (Feam), e deve ficar pronto em outubro.
Para obter a eletricidade a partir do lixo, por meio de uma usina termelétrica, os resíduos são incinerados em fornos com altas temperaturas, em torno de 1.000 graus centígrados.
A queima gera gases que produzem energia e pode abastecer a população de uma cidade. Da energia consumida em Hong Kong, na China, por exemplo, cerca de 6% são provenientes do aproveitamento dos resíduos urbanos.
De acordo com o diretor de Pesquisa e Desenvolvimento da Feam, Paulo Eduardo Fernandes de Almeida, essa é uma das alternativas futuras para a destinação final do lixo, aproveitando o potencial energético que ele tem e reduzindo o número de lixões, que colocam em risco a saúde da comunidade e dos trabalhadores desses locais.
“A usina ainda ameniza os impactos das substâncias resultantes da degradação dos detritos depositados nos aterros sanitários, como o chorume, um líquido preto que escorre do lixo, constituindo uma grave ameaça aos mananciais de água”, observa.
Paulo Eduardo avalia que, no passado, os aterros foram uma solução mais rápida para a disposição adequada do lixo, mas não é a resposta para o futuro. “Por mais que estejam fora da área urbana, a cidade acaba chegando até eles, por causa do seu crescimento, causando impactos à comunidade”, enfatiza.
Acabar com os lixões nas cidades no entorno de Três Corações motivou a escolha da região para receber a primeira usina termelétrica do Estado.
“Ela será instalada em um raio de cem quilômetros do município, e terá capacidade para queimar o lixo de 350 mil pessoas por dia”, conta.
Uma das tecnologias analisadas pela Feam para a construção da unidade é a desenvolvida pela Usina Verde, empresa privada brasileira, que opera na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro.
A eletricidade produzida é utilizada, por enquanto, para consumo próprio, mas pode ser vendida para a concessionária que atua no estado ou diretamente para uma fábrica, por exemplo.
Segundo o diretor de projetos da Usina Verde, Jorge Pesce, o município de Três Corações produz, diariamente, cerca de 400 toneladas de resíduo, a maioria composto orgânico.
“Por ser uma região agrícola, mais da metade do lixo pode ser retirada para a produção de adubo orgânico. O restante pode ser queimado para produção de eletricidade”, diz Pesce.
A construção de uma usina de reciclagem energética dura entre 18 e 24 meses, ao custo de cerca de R$ 40 milhões.
“O valor empregado na viabilização é maior que o do aterro. Mas acaba sendo bastante oneroso manter um aterro por 20 anos. Com cinco anos de funcionamento da usina é possível recuperar o dinheiro investido e começar a gerar receita”, salienta Pesce.
Ainda de acordo com a Feam, assim que o estudo de viabilidade técnica for concluído e a tecnologia que será empregada escolhida, o próximo passo será calcular os gastos com o transporte dos caminhões de lixo das cidades próximas a Três Corações e os gastos que serão pagas pela população.
“Hoje o morador paga para a coleta e a destinação do lixo, o que também acontece para a destinação dos resíduos para a usina”, pondera Paulo Eduardo. Ele diz ainda que o empreendimento será viabilizado por meio de parcerias com empresários e prefeituras das cidades.
Apesar de ser uma solução sugerida por ambientalistas, o engenheiro Gerson Mattos Freire, mestre em Análise de Sistemas Ambientais pela Universidade Federal de Minas Gerais, salienta que a tecnologia não é indicada para todos os lugares. “O ideal é que seja instalada em cidades com mais de 350 mil habitantes”.
Outra forma de se obter energia do lixo é a partir do metano liberado pela degradação dos detritos nos aterros sanitários. O gás é sugado por uma bomba para a rede de tubulação que, por ter alta capacidade calorífica, alimenta o gerador, produzindo a eletricidade que pode abastecer residências e indústrias.
Estratégia para diminuir o aquecimento global
Para a redução da emissão de gases poluentes na atmosfera, principalmente o dióxido de carbono (CO2), responsável pelo aquecimento do planeta, os participantes da State of the World Forum/Brasil 2020, conferência mundial que acontece até a próxima sexta-feira em Belo Horizonte, defendem a participação ativa de toda a população mundial.
Os mais de 150 cientistas de várias nacionalidades que se reúnem na capital mineira indicam sete diferentes ações para orientar as discussões sobre estratégias contra o aquecimento global até o ano de 2020. Pequenas atitudes e mudanças de comportamento em casa, no trabalho ou nos deslocamentos podem fazer a diferença para que as próximas décadas não sejam o fim da civilização.
Para que os limites desejáveis de redução dos gases sejam atingidos em 11 anos, e não em quatro décadas, como estabelecido por alguns países, os cientistas defendem a redução imediata da dependência em combustíveis fósseis, como o petróleo e seus derivados, que está em cerca de 80% das atividades econômicas.
“A simples troca das lâmpadas incandescentes por fluorescentes, ou até mesmo as que utilizam os led (luminosos) contribuem para a redução em torno de 90 % no consumo de energia. Se forem utilizados sensores luminosos que desligam quando as pessoas saem, melhor ainda.
A conscientização deve partir não só dos governos, mas da população e das empresas. Se tomássemos estas atitudes, já seriam 750 indústrias termelétricas a menos no mundo,” garante Lester Brown, presidente do Earth Policy Institute, um dos palestrantes da conferência Brasil 2020.
“Como nós podemos estabilizar o clima e colocar um freio na destruição. Só diminuir a emissão de gás carbônico e os níveis de CO2 na atmosfera. É o que vai ser necessário para que tenhamos uma chance,” diz Brown.
Uma das formas de acelerar a redução de poluentes é produção, parte da indústria, de veículos híbridos (que utilizam mais de um combustível) e elétricos, menos poluentes e mais potentes.
Além da implantação e expansão do sistema ferroviário, abandonado em muitos países. “O trem-bala japonês é o modelo que todo o mundo deveria adotar,” afirma Lester Brown.
E mais:
os governos e a iniciativa privada deveriam investir em energias renováveis, com a eólica, solar e outras fontes alternativas ao petróleo. Além disso, os especialistas pregam a economia de energia como uma forma eficaz de diminuir o aquecimento global.
De acordo com estudos apresentados durante a conferência, a maioria das casas e escritórios desperdiça cerca de 50% da energia consumida por que não são projetados para conservar energia.
Os especialistas defendem atitudes simples, como trocar lâmpadas incandescentes por fluorescentes, desplugar aparelhos da tomada quando não estão em uso e comprar eletrodomésticos que consumam menos para frear o aquecimento global.
Apenas com medidas de conservação de energia, estima-se que se possa diminuir a projeção de aumento da demanda por energia de 30% para 6% em 2020.
A conferência Brasil 2020 também prega o fim, ou pelo menos a redução, de atos cotidianos das pessoas. Deixar de usar o carro para ir ao trabalho e parar de comer carne bovina, por exemplo, são duas das medidas que segundo os especialistas, contribuiriam para diminuir o aquecimento global.
A diretora e coordenadora do da State of the World Forum/Brasil 2020, Emília Queiroga Barros, explica que há pesquisas que indicam ser o rebanho bovino responsável pela emissão de 18% do dióxido de carbono emitido.
É opinião unânime que é necessário também frear o desmatamento. “Nos últimos 50 anos, derrubamos 50% das áreas de floresta do mundo.
Em razão da captura maciça de carbono pelas florestas, a defesa desses sistemas não é apenas uma questão de proteção do meio ambiente local, mas de proteção climática global. Uma árvore tropical pode remover 50kgs de CO2 da atmosfera a cada ano,” revela.
BH busca alternativa de aproveitamento do lixo
Propostas para melhorar o aproveitamento do lixo produzido e descartado em Belo Horizonte serão recebidas pela prefeitura, como alternativa ao aterro sanitário.
Edital de chamamento para que empresas apresentem suas soluções será lançado ainda neste mês. Ontem, na Câmara Municipal, a Usina Verde, empresa que desenvolve projetos de tratamento de resíduos, aproveitando materiais, energia e calor gerados no processo, fez apresentação de seu trabalho, em audiência pública.
Uma das plantas da empresa opera na Ilha do Fundão, no Rio de Janeiro, onde fica a cidade universitária. De acordo com o representante da Usina Verde em BH, Marcelo Savassi, o sistema trata os resíduos desde a coleta até a destinação final.
Segundo ele, em lugar de catadores, existe uma cooperativa de trabalhadores para separar o que é reciclável do que não é. Na planta ou módulo, que é o conjunto de equipamentos que faz o tratamento, só passam produtos que não podem ser reaproveitados.
Os resíduos são incinerados em fornos com temperaturas acima de 800 graus centígrados. A queima gera gases que produzem energia, que, por fim, é utilizada no funcionamento do próprio sistema e pode também ser destinada para uso da comunidade no entorno.
Por exemplo, um módulo que trata 150 toneladas de lixo por dia pode fornecer energia para 14.400 residências. Se for para cidades maiores, é possível juntar mais de uma planta para fazer o serviço. As cinzas que resultam da queima do material são transformadas em tijolos, que são empregados na construção civil.
De acordo com Marcelo Savassi, a Usina Verde pode operar em uma cidade pelo mesmo valor que se paga pelo aterro sanitário. No caso de Belo Horizonte, por cerca de R$ 35 a tonelada tratada, valor pago para levar os resíduos para o aterro de Sabará.
Em Minas Gerais, existe um estudo para implantação da tecnologia na Região de Três Corações, mas ainda é incipiente, conforme Marcelo Savassi.
Entre os órgãos públicos, a Fundação Estadual do Meio Ambiente (Feam) tem projeto de aproveitamento de biomassa e recursos naturais renováveis na indústria cimenteira, com algumas experiências, mas em fase de estudos.
Objetivo é diminuir o impacto na natureza
Apesar de ter acabado de firmar contrato de 25 anos para destinação e tratamento do lixo em aterro sanitário, a Prefeitura de Belo Horizonte, planeja implantar na capital outra forma de cuidar dos resíduos – que possa aproveitar recursos gerados do material descartado e diminuir o impacto sobre o meio ambiente.
De acordo com o superintendente de Limpeza Urbana de Belo Horizonte, Luiz Gustavo Fortini, a prefeitura busca alternativas para tratar o lixo.
O convite do chamamento ficará aberto por 30 dias e, depois, haverá um período de avaliação das propostas. O meio que for escolhido vai vigorar na cidade junto com o aterro sanitário.
“Queremos conhecer tudo o que existe hoje para ampliar e controlar o tratamento do lixo. Também queremos saber quais são os custos disso”, disse.
Fortini participou da audiência na Comissão de Meio Ambiente e Política Pública, que discutiu a questão dos resíduos sólidos. Na reunião, a prefeitura foi criticada por ter feito o contrato para utilizar aterro sanitário como destino final, no último mês da administração do prefeito Fernando Pimentel (PT), e por 25 anos.
O superintendente informou que a prefeitura optou pelo aterro sanitário, que funciona em Sabará, na Região Metropolitana de BH, porque era a solução mais viável, no momento, para resolver um problema grave que a cidade tinha – a destinação do lixo, após o esgotamento do aterro da BR-040.
O período maior de vigência do contrato garantiu uma proposta financeira mais em conta para o Governo municipal, conforme disse Fortini.
De acordo com a assessoria de imprensa da SLU, a prefeitura vai pagar R$ 812,361 milhões pelos 25 anos de serviço. O órgão informou que a empresa Vital Engenharia, que pertence à holding Queiroz Galvão, foi a vencedora da licitação do aterro.
A holding criou a Macaúbas Meio Ambiente S/A para administrar o serviço, uma exigência da lei das parceiras público-privadas (PPP’s), forma de concessão administrativa que é utilizada.
Segundo Fortini, existem tecnologias, mas muitas têm custo alto. Além disso, afirmou que não existem no Brasil usinas de aproveitamento dos resíduos que trabalhem com grandes quantidades de material ao mesmo tempo.
“Todas que existem são para volumes pequenos”, afirmou.
Conforme o superintendente, Belo Horizonte produz cerca de 5 mil toneladas de lixo por mês.
Principal
