
Mosquito da dengue tem lar garantido em Belo Horizonte
A população da capital mineira não aprendeu a lição com os verões passados.
Novamente o alerta para o enorme risco de uma verdadeira epidemia de dengue assombra a cidade.
Além do temor das inundações, quedas de árvores e outros acidentes causados pelas chuvas, os moradores de Belo Horizonte têm um motivo a mais para se preocupar, no verão, com as chuvas, o risco cada vez maior de contrair dengue.
Estatística parcial feita pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA), com base nos dados iniciais do Levantamento de Índice Rápido do Aedes aegypti (Liraa) de 2010, mostra que o índice de infestação é de 4%.
Ou seja, quatro em cada 100 residências da capital estão infestadas pelo mosquito transmissor da doença.
O índice é praticamente igual ao de março do ano passado, de 3,9%, quando a transmissão da dengue atingiu seu pico em Belo Horizonte.
Os dados foram divulgados pelo médico do controle de Zoonose da SMSA Eduardo Pessanha em entrevista para uma emissora de TV.
Os números definitivos do Liraa 2010 deverão ser anunciados na próxima semana.
Balanço da Secretaria Municipal de Saúde, divulgado na sexta-feira, informa que já foram registrados 37 casos da doença em Belo Horizonte em 2010.
Um dos maiores focos do mosquito mais uma vez são os lotes vagos, cheios de mato e de latas, garrafas e outros recipientes vazios, que se transformam em criadouros do inseto.
Apesar de todas as campanhas, esclarecimentos das autoridades de saúde e trabalho de agentes de zoonose, uma vistoria pelos bairros de Belo Horizonte revela centenas de locais que oferecem ótimas condições de reprodução para o Aedes aegtypti, como os lotes e casas fechadas ou abandonadas nos bairros Santa Lúcia e Santo Antônio, que têm deixado vizinhos assustados.
“É como no trânsito. Se dependesse só de nós, seria uma maravilha. Mas, em se tratando da dengue, o outro também deve ter compromisso com os cuidados”, comenta a estudante Mariana Lansky Veira, moradora do Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul. Grávida e mãe de uma criança de 2 anos, Mariana ficou ainda mais preocupada depois que uma agente da zoonose lhe disse, na semana passada, que há um foco da doença no quarteirão onde ela mora.
“O que nos assusta é que aqui perto há uma casa para ser alugada com piscina, e não vemos ninguém cuidar dela”, reclama, apreensiva.
Dengue aumenta, mas em ritmo menor
O número de casos notificados de dengue em Belo Horizonte neste ano, passou de 9.019, na semana passada, para 10.219 nesta semana, um aumento de 13%. Apesar de o índice ser menor do que os 20,8% na comparação das duas últimas semanas, o estado de alerta permanece, porque a cidade continua sob o risco de epidemia. Todas as medidas preventivas para se evitar a proliferação de larvas do mosquito Aedes aegypti devem ser mantidas pelo poder público e pela população.
O alerta é do secretário-adjunto da Saúde Municipal, Fabiano Pimenta. De acordo com os dados divulgados ontem, do total de casos notificados neste ano, 3.058 foram confirmados como dengue clássica, 22 apresentaram quadro da doença com complicações e apenas um foi de dengue hemorrágica, sem morte do paciente. Outros 4.159 casos foram descartados e 2.979 notificações ainda continuam sem uma definição formal.
Para Pimenta, embora a evolução dos casos notificados tenha apresentado um recuo nesta semana, o risco de epidemia não pode ser descartado, uma vez que os meses de janeiro a maio são considerados os mais críticos por causa das chuvas. “O recuo dos índices reflete os esforços que foram realizados pelo poder público e pela população, mas a ameaça é real. A dengue pode matar e essa mobilização deve ser mantida”, reforça.
Em Sete Lagoas, Região Central do Estado, o risco de epidemia é iminente. O índice de infestação do mosquito da dengue aumentou de 4,3%, em janeiro, para 7,9%, em abril. O secretário Municipal de Saúde, José Orleans da Costa, reuniu-se com os responsáveis pelos órgãos de combate à doença no município para buscar uma solução. O Ministério da Saúde considera que a infestação deve ser menor que 1%.
Os dados do LIRAa foram compatíveis aos registrados pelo MI-Dengue (Monitoramento Inteligente), que identificou a presença da fêmea do Aedes aegypti em 32 bairros, classificados como de alto e médio riscos.
Até o momento, foram confirmados 185 casos de dengue clássica e dois de hemorrágica em Sete Lagoas. Os bairros de maior incidência são Montreal (37 casos), Boa Vista (16), Progresso (14) e Canadá (13). Autoridades se preparam para uma possível epidemia.
Ainda está em vigor na cidade o decreto de emergência, a fim de adotar medidas de combate à doença. José Orleans lembra que o município tem respaldo da Justiça para entrar em lotes fechados. Segundo ele, nesse caso, os proprietários serão notificados e terão cinco dias, no máximo, para providenciar a limpeza. Caso contrário, serão multados. “Além da multa, equivalente a 40% do salário mínimo, o dono do imóvel também arcará com a limpeza que será feita pelo município, que é de R$ 180 a cada 360 metros quadrados”, afirma.
Em Ipatinga, no Vale do Aço, a infestação caiu, segundo o LIRAa divulgado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde. O índice, que foi de 6,7%, em janeiro, agora é de 4,9%, o que representa queda de 1,8%. O estudo foi realizado entre os dias 30 de março e 1º de abril.
De acordo com o secretário de Saúde, Fabiano Moreira, o município já notificou 2.607 casos. Os bairros mais afetados são Chácara Oliveira, Vila Celeste, Limoeiro, Chácara Madalena, Barra Alegre, Córrego Novo, Ipaneminha, Pedra Branca e Tribuna. A cidade contabiliza 15 casos de dengue com complicação, sob análise da Funed. “Apesar da queda, ainda estamos em alerta. Vamos intensificar os trabalhos de combate e implementar o remédio homeopático que Coronel Fabriciano utilizou e que tem surtido efeito.
Casos confirmados de dengue crescem 40,9% em BH, em 7 dias
Belo Horizonte continua sob risco de epidemia de dengue, segundo o secretário municipal de Saúde, Marcelo Teixeira, apesar de o índice de infestação larvária dos imóveis ter caído de 3,9% para 2,2%, em março, na comparação com janeiro. Já os números de casos confirmados da doença, apresentados ontem pela Secretaria de Saúde, mostram um aumento de 40,9%, em relação à semana passada. Em sete dias, estes casos passaram de 1.152 para 1.623, o que reforça a necessidade de a população se empenhar no combate aos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Na capital, foram confirmados neste ano 1.607 casos de dengue clássica, 15 com complicações e um de febre hemorrágica, do total de 7.466 notificações – soma de casos confirmados, descartados e pendentes.
Para o secretário Marcelo Teixeira, o combate aos focos está entrando numa semana decisiva, por causa das chuvas deste período e do aumento da temperatura. “O alerta continua para o risco de epidemia na cidade. Temos ações em vários setores, como mutirões de limpeza e equipes de combate direto, com agentes de zoonoses das regionais, mas os números continuam crescentes”, afirmou. Ele lembra que, de acordo com o Ministério da Saúde, o índice de incidência de focos do mosquito, superior a 1% já caracteriza risco de epidemia. É o caso de BH.
A Região Norte continua como a mais afetada. Nela, 272 pessoas foram contaminadas pelo vírus e apresentaram sintomas da doença, desde o dia 23 de março. Outras 821 pessoas esperam o diagnóstico para saberem se tiveram dengue.
Entretanto, é na Pampulha que se verifica o maior aumento percentual de casos confirmados do tipo clássico, de 52,43%.
Para a Região Norte, a mais prejudicada, com cerca de 50% dos casos da cidade, Marcelo Teixeira explica que ações estão sendo realizadas visando reduzir o número de doentes. A partir do próximo final de semana, mais uma unidade de saúde da região, o Centro de Saúde São Paulo, que fica na rua Angola, 357, no Bairro São Paulo, ficará aberto para atender a população. Além deste, os postos dos bairros 1º de Maio (Rua Volts, 80); São Geraldo (Rua Itaituba, 480) ficarão abertos aos sábados e domingos, das 8 às 17 horas.
Pelos levantamentos da Secretaria de Saúde, os locais onde mais são encontrados focos do mosquito, são as residências habitadas, ao contrário do que muita gente pensa. “Pelos nossos números, os lotes vagos e locais inabitados, preocupam, mas são minoria, em relação às casas habitadas. Chegamos ao número de 86% de incidência do mosquito nestes locais”, afirmou Marcelo Teixeira. Por isso, em alguns casos, como de moradores que trabalham durante a semana, a estratégia foi mudada para visitas aos sábados e domingos – as equipes de combate à dengue vão aos locais, geralmente, em horário comercial. Tais ações já apresentam resultados, em relação aos números do fim do ano passado.
No primeiro trimestre desse ano, na Região Leste foi encontrado o maior número de imóveis com larvas do mosquito: 3,4 a cada 100, ou 3,4% de infestação. Esse número, porém, apresenta uma diminuição do índice, em comparação com o levantamento de março de 2008, que foi de 4,1%.
A segunda região com índice de infestação mais alto é Venda Nova, com 3,0%. A região teve êxito no trabalho de combate aos criadouros. Em janeiro, havia registrado 5,7% de infestação, maior que a média da cidade, que foi de 3,9%. A Região Norte, com maior número de casos de dengue confirmados, baixou de 4,3% de imóveis com larvas de mosquitos para 2,7%.
A secretaria informou que, no próximo final de semana, mais mutirões serão realizados para coleta de lixo das residências, em todas as regionais da prefeitura, com os caminhões fazendo o recolhimento no sábado e no domingo. No Bairro Providência, próximo ao Centro de Saúde, na Região Norte, na segunda-feira, ocorrerá o “megamutirão”, que espera cobrir cerca de 5 mil residências, em 110 quarteirões. Desde o início do ano, já foram recolhidas 1.697.327 de toneladas de lixo e entulho.
Apesar dos alertas, lixo expõe morador à dengue
Mesmo com toda a campanha para alertar a população sobre o perigo da dengue e os números alarmantes divulgados nas últimas semanas, algumas pessoas não têm consciência da gravidade da situação. Um exemplo de descaso tem chamado a atenção e provocado medo em quem mora e trabalha próximo à esquina da Rua Dalva com a Avenida Pedro II, Bairro Bonfim, Região Noroeste da capital. Muito lixo e entulho estão se acumulando no local onde havia um posto, que foi demolido. Local ideal para a proliferação do mosquito Aedes aegypti.
O mecânico José Hermano Faria, 52 anos, que trabalha em frente ao terreno, acha um absurdo jogarem lixo e restos de material de construção no local. “É perigoso para todo mundo. Isto pode se transformar num foco de mosquitos e contaminar muita gente”, diz. A Região Noroeste já notificou 520 casos suspeitos de dengue em 2009, o que equivale a 0,1% da população de 360 mil habitantes da área.
A gerência de Regulamentação da Regional Noroeste informou que, hoje, fiscais irão ao local para verificar a situação e notificar o proprietário do terreno, que terá 15 dias para limpar e murar o local. Caso contrário, ele pode ser multado.
A participação da população no controle da propagação da doença é fundamental, principalmente na extinção de pontos de reprodução do mosquito. Já o trabalho dos agentes comunitários de saúde da Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) têm aumentado por causa da doença. No Bairro Taquaril, Região Leste da capital, a agente Paula Martins, 25 anos, conta que o posto de saúde do bairro está todo mobilizado por causa da ameaça de epidemia. “ É preocupante, porque as pessoas atendidas, quando o caso não é de internação, não retornam para fazer o exame que irá comprovar se realmente é dengue”, ressalta. O exame deve ser feito entre quatro e seis dias após surgirem os sintomas.
Segundo os últimos dados divulgados pela Secretaria Municipal de Saúde, o número de casos suspeitos aumentou de 4.629 para 6.085, um acréscimo de 24% em apenas uma semana, ou seja, do dia 16 ao dia 23 de março .
O sinal de alerta está ligado porque, segundo os sanitaristas, o período entre os meses de fevereiro e abril é propício para a eclosão dos ovos do mosquito, devido ao aumento da temperatura.
Mobilização contra a dengue em BH
Atividades de lazer, ginástica e brincadeiras. Porém, o público que compareceu ontem ao Parque Nossa Senhora da Piedade, no Bairro Aarão Reis, na Região Norte de Belo Horizonte, também estava interessado em um assunto sério: a prevenção à dengue. Durante a realização do Dia D de Combate à Dengue na região – a que apresenta o maior número de casos notificados este ano na capital –, cerca de 500 pessoas participaram de caminhada e receberam informações sobre o problema.
O último relatório da Secretaria de Estado da Saúde (SES), divulgado nesta semana, já mostrava 17.786 registros da doença em 2009 no Estado. Em relação a fevereiro do ano passado, houve aumento de 30% no número de ocorrências.
Para a faxineira Maria Sueli da Assunção, 37 anos, os números da dengue incluem a sua família e vizinhança. Uma irmã dela já teve a doença duas vezes, e a suspeita é que seja a forma hemorrágica. A jovem, de 29 anos, está grávida de três meses e tem apresentado sintomas do tipo mais grave.
Além disso, cinco pessoas da rua em que mora, no Bairro Guarani, estão com dengue. “Tem gente que não deixa o pessoal da dengue (agentes de combate à doença) entrar nas casas. Acho que deveria ter uma ‘multinha’ para essas pessoas”, disse. Maria Sueli buscou mais informações ontem para orientar familiares e amigos e aprendeu um pouco mais. “Não vou deixar mais água nos vasinhos de casa nem deixar tampa de garrafa de refrigerante pelo terreiro”.
O padeiro e confeiteiro João Cândido de Oliveira, 67 anos, também se mobiliza para evitar a doença. “Sempre vou à regional para pegar panfletos. Na minha casa, não tem nada que acumula água”, afirmou. No evento, a dona de casa Iraci Aragão Souza, 62 anos, conheceu larvas e mosquito transmissor da doença no microscópio colocado à disposição da população. “Não sabia que o mosquito era assim. Se eu visse, não saberia”, disse. Ela garante que, agora, reconhece o inseto se encontrá-lo em casa.
Para as crianças, informações sobre a doença foram passadas de maneira lúdica, por meio de teatro e oficinas, e com a ajuda de objetos curiosos, como vidros com amostras do agente. A pequena Lorena Dantas Souza Lima, 8 anos, aprendeu a lição e diz que vai ajudar a mãe na limpeza dos vasos de planta.
De acordo com a gerente Regional de Saúde Norte, Vanessa Wilke, a população está mais mobilizada. “A dengue é responsabilidade de todo mundo. As pessoas têm que ter atitude frente à doença porque a dengue mata”, observou. Segundo ela, vários fatores podem ter contribuído para o aumento no registro de casos este ano – antecipação das chuvas e calor e maior procura das pessoas com sintomas por diagnóstico nas unidades de saúde. Vanessa Wilke informou que o trabalho vai continuar na segunda-feira, com mutirão pela região. Além disso, alguns centros de saúde vão manter a iniciativa de abrir nos finais de semana. No posto do Bairro primeiro de Maio, no último fim de semana, 40 pessoas procuraram atendimento.
Lixo pelas ruas de Belo Horizonte
Outro problema que está preocupando as autoridades públicas é o descarte de lixo pelas ruas de Belo Horizonte, que pode levar ao entupimento da rede pluvial e, como consequência, provocar enchentes, como a que ocorreu na última segunda-feira na Região Centro-Sul e matou um casal de idosos.
Na sexta-feira, o prefeito Marcio Lacerda (PSB) anunciou que a prefeitura está estudando meios de punir com prisão pessoas que despejam resíduos na cidade ou em terrenos que não são destinados para isso.
Apesar do recado dado por Lacerda, ontem, BH amanheceu com lixo em passeios e ruas. No Bairro Anchieta, um monte de entulho com madeira, folhas e terra tomavam parte do passeio na Avenida Francisco Deslandes.
Em outro ponto, no Bairro Renascença, na Região Noroeste, mais lixo em cima de um passeio. Além de poder deslizar e entupir galerias, o material, que fica ao ar livre, pode servir como recipiente para que o mosquito Aedes aegypti coloque os ovos.
O temor da epidemia de dengue mobiliza as comunidades de BH
Ontem pela manhã, um grupo de oito mulheres (todas agentes de saúde) moradoras do Aarão Reis, Região Norte da capital, que teve 17 casos da doença confirmados somente ontem de manhã, voluntariamente pegou megafone, panfletos e faixa e saiu pelas ruas do bairro, que tem alta incidência de casos da dengue, alertando os moradores sobre cuidados preventivos. No bairro situa-se também um dos dois centros de saúde designados pela Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) para funcionar nos finais de semana. O outro é o do Bairro Pompeia. O esquema de plantão começou a funcionar ontem, com movimento .
“Nossa preocupação é que, em 90% dos casos, os focos estão dentro das residências. Hoje, nosso dia de folga, resolvemos sair às ruas para continuar o alerta. A dengue mata, e as pessoas não podem vacilar na vigilância”, disse a agente de saúde Vânia Luciana Rodrigues de Lima. Outra voluntária é Maria Rodrigues Perpétuo Socorro, 60 anos, que teve dengue em janeiro. “Morro de medo de pegar de novo, pois pode ser ainda pior. Aqui, os focos são principalmente nos vasos de plantas”, conta Maria Rodrigues.
No Centro de Saúde do Aarão Reis, até o início da tarde, foram feitos 20 atendimentos e 17 deram resultado positivo para doença. Entre eles, está a dona de casa Maria do Carmo Ribeiro, 56 anos. Com febre alta, ela correu ao posto: “Dá muito dor no corpo e atrás dos olhos, por isso desconfiei que era dengue”. No posto do Pompeia, seis atendimentos foram feitos e deram negativo para dengue.
No Bairro Coqueiros, cem adolescentes, entre 16 e 18 anos, da Associação Profissionalizante do Menor (Assprom) que participaram da capacitação promovida pela Secretaria Municipal de Saúde começaram a atuar nas regiões Noroeste e Centro-Sul. Eles se concentraram na Escola Municipal Luigi Toniolo, onde distribuíram material contendo orientações sobre como combater focos do mosquito. No local, também houve reunião com os pais, com a participação de um biólogo da SMSa para esclarecer sobre a doença.
A Secretaria Estadual de Saúde desmentiu notícia sobre mais uma morte por dengue hemorrágica. Os exames de Edson Facundes, 9 anos, que morreu terça-feira, em Governador Valadares, ainda não saíram . Em Minas já são 10.984 casos notificados sendo 2.894 na capital.
Minas Gerais e Bahia estão em alerta contra dengue
Por conta da combinação de calor e chuva, os estados de Minas Gerais e Bahia estão em alerta contra a dengue. O número de casos aumentou desde o início do ano e o trabalho de combate ao mosquito transmissor da doença, o Aedes aegypti, foi reforçado nas regiões mais infestadas, principalmente em terrenos abandonados.
Na Bahia, 11.570 casos foram registrados, sendo 85 de dengue hemorrágica. Nove mortes causadas pela doença já foram confirmadas. Para garantir o combate aos focos do mosquito, o Ministério Público foi à Justiça e chaveiros liberaram a entrada dos agentes de saúde em um imóvel na capital baiana.
Em Belo Horizonte, 2.800 adolescentes de uma associação profissionalizante estão sendo treinados pela administração municipal para ajudar no combate nos bairros em que moram. Dos 2.700 casos notificados, 500 foram confirmados somente na semana passada. Na capital mineira, os pátios de veículos apreendidos são a grande preocupação, já que o ambiente é perfeito para a proliferação do mosquito transmissor da dengue.
Na Região Norte, a mais atingida de Belo Horizonte, os postos de saúde vão ter horário de atendimento ampliado e uma unidade de hidratação com 40 leitos começou a funcionar nesta terça-feira (3).
Postos de saúde abrem novos leitos para vítimas da dengue
Oitenta leitos exclusivos para o atendimento de pacientes que contraírem dengue serão abertos a partir da próxima terça-feira em Belo Horizonte. Serão 40 na antiga Upa de Venda Nova (na Avenida Padre Pedro Pinto) e 40 na Santa Casa, unidades que atenderão casos mais graves da doença. Além disso, dois postos de saúde da capital – nos bairros Aarão Reis, Região Norte, e Pompéia, Região Leste – passarão a funcionar aos sábados e domingos, até as 17 horas, e durante a semana até as 19 horas para atenderem à demanda de pessoas com suspeita de dengue.
A ação faz parte do Plano de Contingência Assistencial para a Dengue divulgado ontem pela Secretaria Municipal de Saúde (SMSA). As ações têm como objetivo atender até 25 mil casos que poderão ser notificados nos próximos dois meses, período considerado mais crítico pelas autoridades no aumento do número de infectados.
A ameaça de epidemia na capital fez da cidade um verdadeiro campo de batalha contra o mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti. De acordo com o último balanço da SMSA, de janeiro até a última quinta-feira já foram notificados 2.653 casos.
Os registros apontam ainda 1.205 resultados pendentes. São 324 casos de dengue clássica, oito com complicações e um de febre hemorrágica.
Dentro da fase I do plano já foram contratados dois médicos para integrarem a equipe do Centro de Saúde Guarani e da Unidade de Pronto-Atendimento (UPA), localizados na região de maior incidência da doença: a Norte. Nessa área já foram registrados 201 casos de dengue clássica e seis com complicações. Na UPA Norte, o atendimento ainda foi incrementado com mais seis auxiliares de enfermagem, três técnicos laboratoriais e um auxiliar de laboratório.
Nestas primeiras ações foram feitos investimentos da ordem de R$ 175.200. “ Um reforço laboratorial para um aumento de até 50% da média diária também foi feito. As medidas de aumento de pessoal, insumos e equipamentos estão sendo implementadas de acordo com as necessidades locais”, afirma o secretário Municipal de Saúde, Marcelo Teixeira.
Segundo ele, em Venda Nova funcionará leitos de reposição volêmica, para hidratação dos pacientes com dengue. Já na Santa Casa serão encaminhados os casos com complicações da doença. “É preciso enfatizar que tanto na antiga Upa de Venda Nova como na Santa Casa o atendimento será feito somente aos usuários encaminhados pelos centros de saúde após avaliação clínica”, ressalta o secretário.
Para a segunda fase do plano, o Governo municipal investirá cerca de R$ 1 milhão, sendo R$ 201 mil na compra de equipamentos e aproximadamente R$ 898 mil para custeios de ações.
Estratégias para 50 mil notificações
O Plano de Contingência prevê ainda uma Fase III, caso chegue a ter 50 mil notificações de dengue na cidade. Se a doença chegar a este patamar, todas as UPAs terão reforço com até 40 plantões médicos, 30 enfermeiros, 60 auxiliares de enfermagem, dez porteiros e dez auxiliares de limpeza. “Neste caso, seria necessário mais dez leitos para hidratação, mais 40 leitos na Santa Casa e outros 23 no Hospital Risoleta Neves, além da abertura de mais dez leitos de CTI”, prevê Teixeira.
Em uma situação ainda mais grave, em que o quadro atinja 98 mil notificações, o planejamento conta com uma quarta fase, que seria a criação de dez leitos de Terapia Intensiva no Hospital das Clínicas, além de leitos nos hospitais da Fundação Hospitalar de Minas Gerais (Fhemig), ampliação das equipes em todas as Upas e mais reforços no atendimento nos centros de saúde da capital.
Mas o reforço parece ter demorado demais, pelo menos para os moradores dos bairros Aarão Reis e Guarani, na Região Norte de Belo Horizonte. Em uma volta pela região, na tarde de ontem, a informação dos moradores era de que em grande parte das ruas dos bairros praticamente todas as casas tinham pelo menos uma pessoa infectada pela doença.
Em algumas do Aarão Reis, como na casa de Luiz Gonzaga Faria, 70 anos, eram três. “Moro aqui há 40 anos e, até o ano passado, dengue aqui era um caso raro. Não sei se tem a ver, mas depois da abertura do Parque Nossa Senhora da Piedade, aqui perto, o número aumentou demais”, avalia. O parque foi inaugurado no dia 24 de junho do ano passado. Curiosamente, as ruas com o maior número de ocorrências no bairro, de acordo com informações da PBH, ficam no entorno do espaço.
Na manhã de ontem, o neto de Luiz Gonzaga, Luiz Henrique Faria, 13 anos, teve o diagnóstico confirmado. Por volta das 15h30, estava deitado no sofá, assistindo televisão, sem conseguir falar ou se mexer. “Dói tudo”, diz, baixinho. No quarto ao lado, a avó do garoto, Tânia Marly Gonzaga Faria, 57 anos, se recuperava da fase mais aguda da doença, que a atingiu na última terça. “É horrível. Minha temperatura chegou a 39 graus, tive delírios e dores muito fortes nas pernas e atrás dos olhos. Quando meus familiares resolveram de levar ao posto de saúde, só me debatia”, lembra. A casa da família fica na Rua Pastor Eli Liberato, no Aarão Reis.
A dois quarteirões dali, na Rua Guilhermina Soares, toda as casas já tiveram pelo menos uma vítima do Aedes aegypti. Na do vigilante Andry Marques Costa, 38 anos, não escapou ninguém. Ele teve dengue durante o Carnaval, ao mesmo tempo que a esposa. Ontem, um dia depois de se sentir melhor, aguardava o resultado do exame do filho de 13 anos, que também sentia dores pelo corpo, de cabeça, nos olhos e febre alta. “Só estamos esperando a confirmação, mas temos praticamente certeza do resultado”. Além dos três, a cunhada, que mora no andar de cima da casa, também estava infectada.
Farmácias de Belo Horizonte e do Estado já estão começando a receber o primeiro medicamento para o tratamento dos sintomas da dengue, o Proden. Aprovado e registrado pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) no final do ano passado, o produto pode ser vendido sem receita médica. Ele auxilia no tratamento dos sintomas da dengue, inclusive as complicações hemorrágicas, reduz o índice de contaminação em 73% dos casos e diminui o tempo de recuperação do paciente.
E para tentar conter o avanço da dengue no Vale do Aço, os municípios de Ipatinga, Coronel Fabriciano, Timóteo e Santana do Paraíso recorreram ao Estado em busca de uma verba de R$ 1,1 milhão para implantar ações que integram o Plano de Intervenção de Combate à Dengue. Segundo o prefeito de Coronel Fabriciano, Chico Simões (PT), a verba será destinada à aquisição de veículos, tampas de caixa d’água e treinamento de profissionais nas quatro cidades.
“Estamos com uma incidência de casos de dengue maior que em Belo Horizonte, proporcionalmente falando. Temos que ter recursos para combater a doença”, ressalta. Conforme a autoridade sanitária da Gerência Regional de Saúde, Fabiana Fernandes Almeida, até a oitava semana deste ano foram notificados 1.620 casos na região – 1.089 em Coronel Fabriciano, 253 em Timóteo, 244 em Ipatinga e 34 em Santana do Paraíso.
Em nota divulgada ontem, a Prefeitura de Ipatinga nega que haja subnotificação da doença no município.
PBH intensifica combate à dengue
Com o objetivo de evitar o surgimento de novos casos, a prefeitura de Belo Horizonte intensifica ações de combate à dengue em todas as regiões da capital. De acordo com a PBH, novos mutirões serão realizados nos próximos dias, ação destinada à erradicação dos focos do mosquito Aedes aegypti, transmissor da doença.
Último balanço divulgado nesta quinta-feira pela prefeitura aponta que Belo Horizonte já soma 275 casos confirmados de dengue, sendo 266 do tipo clássico, oito com complicações e um de dengue hemorrágica, sem a confirmação de nenhum óbito pela doença. Até a última quarta-feira, dia 25, a capital registrava 2.310 notificações e 1.172 resultados pendentes.
Somente em janeiro deste ano, foram limpos cerca de 30 mil metros quadrados em todas as regiões da capital. Os proprietários de lotes mal conservados estão sujeitos a multas que variam de R$ 871,84 a R$ 3.874,80.
Em fevereiro, três grandes áreas públicas estão sendo limpas pelas equipes da SLU: a Via 240 (40 mil metros quadrados), a área do abrigo Granja de Freitas (nove mil metros quadrados) e uma área próxima ao Cemitério da Paz (30 mil metros quadrados).
PBH apresenta plano de contingência assistencial para pacientes com dengue
A prefeitura de Belo Horizonte irá apresentar nesta sexta-feira um plano de contingência assistencial para pacientes com dengue na capital. De acordo com a PBH, a ação será exposta às 11h pelo secretário municipal de Saúde, Marcelo Teixeira.
A coletiva será realizada na Secretaria Municipal de Saúde localizada na avenida Afonso Pena, 2.336, 13º andar, Funcionários, e pode ser acompanhada por moradores ou pessoas que contrairam a doença.
Dicas para o combate à dengue
Para ajudar no combate à dengue,plantem citronela(a essência de citronela-cymbopogom nardus, mata larvas e pupas em 3 horas, 1 colher (sopa) para 1 litro de água,( peço que façam a experiência!),manjericão,tagetes patula,usem seus derivados(desinfetantes,essências,óleos,velas,sabonetes),deixem viver as criaturinhas,os muitos predadores do aedes:aranhas mosquiteiras,lagartixas de parede,libélulas,pássaros insetívoros,peixes guppy nos reservatórios de água,sapos,além de telar caixas d água,eliminar possíveis criadouros, usem bacillus thuringiensis, aspirador de mosquito,armadilhas Adultrap prende a mosquita adulta(serão 450 ovos que deixam de criar!).
Não usem veneno químico, faz mal á nossa saúde,o aedes já adquiriu resistência, mas, mata seus predadores, e assim a dengue proli fera livremente.Basta analisar:onde mais se investiu com inseticidas(Pan 2007) é onde mais aumentou casos de dengue.
Os predadores são consumidores vorazes do aedes, tanto na água como em terra, muito mais eficientes que qualquer medida artificial. Pesquisem para comprovar! Perfume também espanta o mosquito.Passem nas partes descobertas. Colocar uma caneca de plástico com ½ de água e 2 gotas de essência de citronela, deixe perto da cama.O cheiro permanece até o dia seguinte e o mosquito não se aproxima. \”O uso sem critério do fumacê causa impactos ao meio ambiente, provocando mortes de insetos polinizadores, tais como, abelhas, vespas e borboletas, além dos predadores naturais que exercem a função de controladores das populações de vetores\”, afirmou.
Médico mineiro inventou uma armadilha mortal para aedes aegypti. Já foi patenteado e breve teremos no mercado. Chegou nas farmácias o remédio homeopático para combater os sintomas da dengue. PRODEN, do Laboratório Almeida Prado.
Para enviar uma matéria clique aqui
Principal
